O mais furioso dos furiosos!

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Desde criança, Malcolm X (1926-1965) aprendeu a conviver com a fúria. Aos seis anos, seu pai foi brutalmente assassinado. Sua mãe acabou assumindo a sua educação e a dos seus 7 irmãos. Devido a sua pele clara, ela conseguia empregos domésticos, que duravam até descobrirem que ela era negra. Mesmo com as pensões que ela recebia (uma por ser viúva, outra da assistência social), a sua família vivia em péssima situação.
As assistentes sociais do governo atormentavam a mãe de Malcolm, forçando-a a entregar seus filhos para adoção. A pressão foi tanta que ela acabou sendo internada em um hospital psiquiátrico.
Malcolm acabou sendo adotado e viu sua família ser destruída. A fúria estava instalada.
Quando terminou a oitava série, Malcolm foi morar em Boston na casa de sua meia irmã Ella. Fez amizade com Shorty, esticou os cabelos e passou a viver na boemia. Durante esse período, conheceu duas mulheres que marcariam sua vida. Uma era Laura, sua parceira de dança (Malcolm dançava muito bem), uma singela negra que morava com a avó e sonhava formar-se na universidade. Ele a namorou por um certo tempo até conhecer Sophia, uma mulher branca e loira. Laura, tempos depois, acabou caindo na prostituição. Certa vez, Malcolm disse: “Umas das vergonhas que tenho carregado é o destino de Laura…, tê-la tratado da maneira como tratei por causa de uma mulher branca foi um golpe forte demais”.
Malcolm entre outros empregos, a exemplo de engraxate, trabalhou na ferrovia, depois resolveu se mudar para o Harlem. E se tornou amante de Sophia.
Foi no Harlem que “X” entrou para a “vida do crime”, primeiro traficando nos trens, depois aplicando golpes e praticando assaltos. Naquele tempo, temia três coisas: cadeia, emprego e o exército. Fingiu-se de louco para se livrar do serviço militar.
Sua vida marginal levou-o a se meter em tantas encrencas no Harlem que acabou ficando num “beco sem saída”, estava “jurado de morte”. Sammy, um amigo cafetão com quem Malcolm morava, ligou para seu velho amigo Shorty vir buscá-lo, levá-lo de volta para Boston.
Em Boston, foi morar com Shorty em seu apartamento. Quase todos os dias assim que o amigo saía para trabalhar, como saxofonista, Sophia encontrava-se com Malcolm, e ele arrancava-lhe todo o dinheiro. O marido de Sophia havia arrumado emprego de vendedor, e viajava constantemente.
Para sair da inatividade Malcolm formou um grupo que assaltava casas, que contava com a participação de Rudy, amigo de Shorty (que também fazia parte do bando), Sophia e uma irmã dela. Praticaram alguns assaltos bem sucedidos. Entretanto, um dia a sorte acabou, e Malcolm acabou na prisão.
Na prisão por causa de sua atitude rebelde e anti-religiosa, Malcolm ficou conhecido como Satã. Reginald, um de seus irmãos, pertencente à Nação do Islã, escreveu-lhe dizendo que sabia uma maneira para tirar-lhe da prisão. Depois de muita relutância, Malcolm ficou curioso para descobrir o que seu irmão estava armando para ele.
Quando foi visitá-lo na cadeia, Reginald lhe conta sobre a “religião dos pretos”. Malcolm recorda de todas as pessoas brancas que, de uma forma ou de outra, fizeram com que sua vida fosse marcada pela dor e pela fúria. As palavras de Reginald surtiram efeito! Seus outros irmãos também passaram a escrever, a falar sobre o honrado Elijah Muhammad, líder na Nação do Islã. Todos recomendaram seus ensinamentos que classificavam como o verdadeiro conhecimento do homem preto. Malcolm titubeou, no entanto, acabou-se se convertendo ao islã, tornou-se muçulmano negro.
Graças aos esforços de Ella, Malcolm conseguiu ser transferido para uma prisão colônia de reabilitação profissional, muito melhor do que as outras por onde havia passado, e a biblioteca era um de seus elementos principais. Para responder as cartas, e se corresponder com Elijah Muhammad começou a ler muitos livros, tornou-se um leitor voraz. Também copiou um dicionário inteiro.
Em 1952, Malcolm foi libertado e foi finalmente ouvir Elijah Muhammad, que ao final de sua fala chamou Malcolm e diante de seus seguidores contou uma parábola a seu respeito.
A partir de então, Malcolm passou a participar efetivamente da Nação do Islã. Ficou encarregado de atrair os jovens (afinal, ele conhecia muito bem a linguagem dos guetos). Recrutava nos bares, nos salões de sinuca e esquinas dos guetos. O Templo Número Um, de Detroit, em três meses triplicou o número de fiéis. Malcolm já havia recebido da Nação do Islã o seu “X” que significava seu verdadeiro nome de família africana que Deus lhe revelaria.
Malcolm X teve uma ascensão meteórica. Em curto intervalo de tempo tornou-se o principal ministro de Muhammad, levando-o a ser transferido para o templo de Nova York – o mais importante.
Em meio a sua vida agitada, Malcolm conheceu e se casou com Betty, em janeiro de 1958. Mal se casou, e Malcolm estava, em toda parte, trabalhando pelo crescimento da Nação do Islã.
Malcolm fundou um jornal chamado “Muhammad Fala” que levou revistas mensais a darem reportagens de capa sobre os muçulmanos negros. Não demorou muito para que Malcolm fosse convidado para participar de mesas redondas de rádio, televisão e universidades, entre elas Havard, para defender a Nação do Islã, enfrentando intelectuais negros e brancos.
O seu destaque gerou ciúmes no próprio Elijah que não possuía a coragem e perspicácia de Malcolm para discutir, por exemplo, com professores universitários. A intensa exposição e repercussão da figura de Malcolm X contribuíram para alimentar entre os enciumados muçulmanos negros o boato que ele tentaria tomar o controle da Nação do Islã.
Duas antigas secretárias de Muhammad entraram com processo de paternidade. Malcolm ao conversar com elas descobriu que enquanto Elijah Muhammad o elogiava pela frente, tentava destruí-lo pelas costas, e aguardava o momento oportuno para afastá-lo. A morte de John Kennedy e a declaração polêmica de Malcolm a respeito foi o ensejo.
Malcolm ficou sabendo do seu banimento através da imprensa. Sofreu humilhações públicas com manchetes como: “Malcolm silenciado”. Os muçulmanos negros também conspiraram para que ele fosse considerado traidor, a punição para a traição é o ostracismo e a morte. A ironia é que Malcolm sempre foi leal, ele falava em nome de Muhammad, renunciava a própria personalidade em favor de Elijah Muhammad.
Patrocinado por Ella, Malcolm viajou para Meca com o objetivo de conhecer melhor o islã. Agora admitia que Elijah Muhammad havia deturpado esta religião nos Estados Unidos.
Na sua volta aos Estados Unidos, durante uma entrevista coletiva, perguntaram-lhe:
– “Você ainda acredita que os brancos são demônios?”
– “Os brancos são seres humanos na medida que isto for confirmado em suas atitudes em relação aos negros”.

Movido por suas novas idéias, Malcolm fundou a Organização da Unidade Afro-Americana: Grupo não religioso e não sectário – criado para unir os afro-americanos. Infelizmente, ele não teve tempo de expor suas novas idéias. Em 21 de fevereiro de 1965, na sede de sua organização, Malcolm recebeu 16 tiros calibre 38 e 45, a maioria deles atingiu o coração.
Malcolm foi assassinado – com apenas 39 anos – em frente de sua esposa Betty, que estava grávida, e de suas quatro filhas.
Apesar de muitos anos após a sua morte, sua influência segue forte, e sua história inspira e difunde a luta por justiça.

*Inspirado no texto de Lourenço Cardoso (e que texto!!!)


Fonte: http://www.mundonegro.com.br

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