Churrascão imperdível

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Local onde seria construída a ex-futura Estação Angélica, da Linha 6 do Metrô. Imagem: Rodrigo Capote/Folhapress

Palhaçada. Esta é a única palavra que me vem a cabeça para descrever a decisão da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) de não construir a estação Angélica, uma das paradas planejadas da futura linha 6 do sistema de transporte metropolitano (apelidada de a “Linha das Universidades”).

O motivo, já exposto aqui no blog, é a discordância, por parte dos moradores do endinheirado bairro paulistano, que viam na construção uma afronta ao seu “status quo”, já que “pessoas diferenciadas” começariam a frequentar o bairro.

Pois bem, depois da pressão da Associação Defenda Higienópolis, que recolheu 3.500 assinaturas depois de uma campanha pelo bairro e no Twitter, eis que o Governo Estadual resolveu recuar, e modificar o projeto, passando a estação para a Praça Charles Miller. “Prevaleceu o bom-senso”, afirmou o presidente da associação, Pedro Ivanow.

Quem não deve estar gostando nada disso são os moradores do bairro do Pacaembu, já que herdarão o “fardo”. Para a presidente da Associação Viva Pacaembu, Iênidis Benfati, os dias de jogos serão os mais problemáticos. Hoje, o público que vai aos jogos no Estádio Municipal descem nas estações Clínicas, Sumaré, Marechal Deodoro e Barra Funda.

Mas a briga não deve parar por aí, já que o Ministério Público resolveu investigar os motivos pelos quais o Governo do Estado de São Paulo optou pela desistência da construção da estação. Se constatado que a Administração Alckmin o fez por pressão dos moradores, pode sofrer um processo por ferir a Constituição  Federal, que estabelece tratamento igual para todos os cidadãos.

E já existe uma mobilização no Facebook, organizando um churrasco para a “gente diferenciada” na frente do Shopping Pátio Higienópolis, no próximo sábado, dia 14, a partir das 14 horas. Inteligente e bem-humorado, o protesto é a oportunidade do “povão” mostrar a sua cara e rir desta atitude ridícula de moradores que não querem ser incomodados pelo progresso.

Reclamações à parte, fica a pergunta: e o povo que trabalha ou estuda nestas regiões? Será que eles foram ouvidos? Será que eles contam?  O Metrô é voltado principalmente para estes cidadãos e também para as pessoas que optam pelo transporte público para se locomover na metrópole e fugir do caos do trânsito paulistano. A atual rede do metropolitano é deficitária, com superlotação nos horários de pico. Mas, ainda assim, o transporte é um dos poucos na cidade que ainda tem um relativo padrão de qualidade.

Por isso, pouco me importa se meia dúzia de gatos pingados não querem que o “povão” tenha o acesso facilitado ao bairro endinheirado. Se eu fosse o “Chuchu”, bateria no peito e construíria a estação. Afinal, a mobilidade do cidadão se sobressai à vontade de particulares.

Mas não em São Paulo. Não no Brasil.

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