Afinal, dá para liberar as bebidas nos estádios ou não?

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20/03/1991. Várias garrafas foram atiradas dentro do campo do Pacaembu, pela torcida do Corinthians, após péssimo futebol apresentado pela equipe, que disputava partida contra o Flamengo, válida pela Libertadores da América. O Corinthians foi derrotado por 2 a 0. E depois disso as garrafas foram proibidas nos estádios. Imagem: Luiz Alonso/AE

Liberar ou não liberar bebidas alcoólicas nos estádios? Eis a questão. O assunto, um dos entraves da Lei Geral da Copa, gera controvérsias entre deputados, autoridades e especialistas.

Antigamente, bem antigamente, as bebidas alcoólicas eram vendidas sem problemas nos estádios. E em garrafas de vidro.

A proibição da venda de bebidas alcoólicas nos estádios paulistas começou em 1995, fruto da comoção provocada pelas cenas de selvageria que ocorreram durante a decisão da Supercopa São Paulo de Juniores. No dia 20/08/1995, num Pacaembu cheio de entulhos devido a reforma que passava, torcedores “organizados” do Palmeiras e do São Paulo entraram em confronto, que culminou em uma tragédia:  101 pessoas feridas e um torcedor do São Paulo morto.

Desde então, é proibido nos estádios paulistas mastros de bandeiras, bebidas alcoólicas e a ação das torcidas organizadas é monitorada (lembrando que na época da tragédia elas foram banidas dos estádios). Em 2008, a CBF proibiu a comercialização de bebidas nos estádios, após incidentes envolvendo torcedores embriagados. Além de São Paulo, que já havia criado a lei (e a radicalizou, pelo menos na capital, quando proibiu a venda de álcool na extremidades dos estádios), outros estados também criaram suas próprias proibições, como  no  Rio Grande do Sul, na Bahia e em Pernambuco.

Entretanto, para a Copa do Mundo 2014, haverá uma brecha na proibição. Isto porque entre os principais patrocinadores do evento está uma cervejaria (a Budweiser, da multinacional Inbev).  Fato que causa inquietação em especialistas. Para Florence Keer-Correâ, psiquiatra da Unesp Botucatu, a liberação é um retrocesso que poderá causar problemas durante o evento. “Até agora, não estava sendo vendida bebida alcoólica e vira e mexe temos problemas nos estádios”. Ainda segundo o psiquiatra, o consumo de bebidas alcoólicas muitas vezes é ligada a embriaguez, com a ingestão de grandes quantidades, impactando principalmente nos jovens. Isso aumenta a possibilidade do indivíduo entrar em provocações, ou em extrapolar nas comemorações.

A princípio, a liberação das bebidas será apenas para os jogos disputados durante o torneio mundial. Mas há quem defenda a liberação para os jogos pós-copa. O relator da Lei Geral da Copa, o deputado Vicente Cândido (PT-SP),  se mostrou favorável a liberação da comercialização de bebidas os estádios, mas teve que recuar após pressão de colegas do Congresso Nacional e de setores do Governo.

Não é só a Fifa que está interessada na liberação. Os clubes de futebol e futuros proprietários de arenas e estádios brasileiros também têm interesse. Afinal, será mais uma forma de lucrar com o espetáculo, acertando uma parceria com cervejarias, visando a divulgação da marca nos estádios e cedendo a exploração comercial da venda dos produtos.

Eu penso o seguinte: a proibição é importante? É sim. Prejudica os donos do espetáculo? Se pensarmos do ponto-de-vista comercial, sim. Mas, esta proibição impede que pessoas alcoolizadas frequentem os estádios de futebol? Nem um pouco. Tem pessoas que já saem de casa consumindo altas quantidades de bebidas, no caminho para o jogo. E claro que não são barradas nas entradas dos estádios. E muitas vezes há aqueles que se envolvem em confusões nas arquibancadas e arredores não estão com uma gota de álcool na boca. Eles já saem de suas casas preparados e com a pretensão de brigar.

Deixo claro aqui que não sou a favor (e nem contra) o consumo de bebidas nas arenas. Apenas estou externando minha opinião. As autoridades é que decidirão o que fazer.

Fonte: R7, Valor Econômico, Carta Capital

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